28 março 2020

A vida mudou, nós também

A vida mudou

Nós também

Hábitos tão básicos e automáticos como lavar as mãos antes da refeição, passaram a ser empreendidos de forma consciente e repetida em várias tarefas diárias. Mas também a criação de uma zona restrita para deixar o calçado usado na rua ou para deixar a roupa do dia de trabalho, passou a ser uma preocupação. Deixar a roupa à entrada de casa, deixar os objectos que vieram da rua à entrada de casa, parece ser uma atitude prudente, neste período mais crítico da pandemia, mas também para o futuro. Se é sabido que o telemóvel pode transportar fungos e bactérias, talvez não seja boa ideia transportar o aparelho pela casa, em particular para a zona onde se preparam os alimentos, onde se tomam as refeições ou na zona onde se descansa. Na entrada de casa deverão estar os chinelos para uso no resto da casa.

Estas são medidas simples que deverão estar em sintonia com o rigor pretendido nos locais de trabalho, onde se pugna diariamente por exigir todas as condições de saúde e segurança.

A própria saúde e segurança no trabalho, deverá ser revista para a promoção e prevenção de novas regras, a fim de responder a esta pandemia e ao futuro, em articulação com o controlo da gestão, a contratação e horários de trabalho.
Quanto ao cumprimento do horário de trabalho, o regime de trabalho à distância, implica a coordenação de várias tarefas, até aqui inexistentes para todos os trabalhadores que de um momento para o outro, se viram confrontados com a nova realidade. Foi necessário implementar uma nova coreografia de trabalho, a fim de assegurar a continuidade do negócio, onde também entram as tarefas domésticas e o apoio à família.
Este período de transição do modelo de negócio, requer adaptação e não pode deixar de assegurar a sua continuidade, mas também não pode servir de motivo para aumentar a pressão sobre os trabalhadores. A fim de permitir a sanidade mental de quem está no teletrabalho, é imprescindível que se cumpra rigorosamente o horário de trabalho e que se aplique o direito a desligar. A desligar o telemóvel fora do horário de trabalho, a desligar o computador de trabalho. Várias famílias aperceberam-se que os filhos passam muitas horas em frente ao ecrã após os primeiros dias em teletrabalho.
Uma das medidas adoptadas é que o direito a desligar deverá ser imperativo para toda a família, incluindo os filhos. Fora do horário de trabalho. Essas famílias que passaram a conviver mais horas com os filhos, decidiram desconectar todos os ecrãs, telemóvel, tablet, computador, consolas de jogos e televisão.

Para quem está na linha da frente no atendimento aos clientes, em sectores definidos como estratégicos, os meios de resguardo, como as divisórias em acrílico, deverão estar aplicadas até ao final do dia de hoje.
Seria muito desejável que houvesse o pagamento de subsídio de risco, na ausência da cobertura pelo seguro de acidentes de trabalho, classificando estas profissões de risco.

A partir do momento que os sectores estratégicos foram chamados a dar continuidade ao fornecimento dos seus serviços, na sequên
cia da declaração do estado de emergência, para manter a economia em funcionamento, no apoio às famílias e empresas, deverá ser dada atenção especial a esses trabalhadores que não podem ficar em casa nem podem parar de trabalhar, a fim de dar continuidade ao negócio.
Com a chegada das férias da Páscoa, é importante que não seja interrompido o apoio às famílias e seja assegurado o pagamento do rendimento mensal aos trabalhadores. Não faz qualquer sentido o uso de férias para colmatar esta lacuna. É crucial que seja definido um programa pelo governo para prolongar o apoio através de subsídios, neste tempo de pandemia e de estado de emergência declarado.

É tempo de auto quarentena. Tempo de ficar por casa. Muitos fugiram da pandemia para a sua aldeia, onde vivem maioritariamente idosos. Várias aldeias estão a sofrer os resultados do êxodo citadino. As mudanças da vida são imprevistas. Há bem pouco tempo falávamos de êxodo rural.

É tempo de auto quarentena, evitando os ajuntamentos de pessoas, para passear à beira-mar num dia de sol ou numa ida à praia. Essas pessoas foram apelidadas de egoístas, estúpidas e perigosas. Não sabemos o que vai na cabeça dessas pessoas quando tomam uma decisão de sair à rua em grupo, contrariando as orientações dos organismos de saúde. Também não se entende porque é que depois de utilizar a caixa multibanco se deixem luvas usadas na via pública. Talvez seja uma reacção irracional ao medo. Assim como uma pessoa infectada pode contagiar duas ou três pessoas, também estes comportamentos podem afectar de maneira negativa como já descrito ou podem influenciar positivamente se se mantiver em auto quarentena.
Se a região norte é aquela que conta com mais casos de infecção, importa perceber que este é um problema global. Ninguém está livre de mais tarde ou mais cedo vir a ser contaminado. Por isso é que as medidas de higiene pessoal são mais importantes para a defesa pessoal e para a saúde pública.

Ainda há bem pouco tempo a globalização, com a livre circulação de pessoas e bens por todo o mundo parecia ter só vantagens.

Que as mudanças se operem por causa de um vírus
Mas sobretudo que as mudanças aconteçam em nós
É tempo de reflectir sobre o sentido da vida, considerando que esta nunca está garantida.

João Pires

26 março 2020

COVID-19 Ministerio da Saude

Se tiver tosse, febre, ou falta de ar ligue SNS24: 808 24 24 24
Para baixas médicas deve ligar para a Segurança Social: 300 502 502

Alerta:
COVID-19 - Medicamentos através da internet
Infarmed alerta consumidores para perigo de aquisição de medicamentos através da internet.
ARS Norte disponibiliza duas linhas telefónicas para rastrear sintomas
Estou em isolamento. E agora?
Se lhe foi indicado isolamento, fique a saber quais as medidas recomendadas e os cuidados que deve ter em casa.
Preciso de um médico. E agora?
Agora mais do que nunca o contacto telefónico com o centro de saúde é muito importante. Com as limitações de circulação decorrentes da pandemia que nos está a atingir, os médicos de família podem atender telefonemas e responder a dúvidas dos seus doentes.
Para informação completa, consultar:
https://covid19.min-saude.pt/

23 março 2020

TELETRABALHO: da contingência ao futuro

TELETRABALHO: da contingência ao futuro

Considerando que o coronavírus veio para se tornar uma ameaça à saúde pública, uma ameaça à economia e que as prácticas básicas de higiene não estão a ser seguidas por todos com a mesma convicção (lavar frequentemente as mãos, espirrar para o braço ou evitar o contacto físico nos hábitos sociais), as medidas que restrinjam a circulação de pessoas, como o teletrabalho, poderão ser uma ajuda na contenção da propagação do vírus.

A economia também já entrou em quarentena e isso também é causa pública. Entretanto aguarda-se o encerramento das escolas com a antecipação das férias da Páscoa.

O teletrabalho já é uma realidade que existe em muitos países, tem sido objecto de testes em Portugal e veio para ficar. Os planos de contingência e de continuidade do negócio incluem o teletrabalho. As empresas poderão aproveitar este momento para testar as suas capacidades de funcionamento com trabalho à distância.

Por outro lado, este é um momento para testar a abertura dos trabalhadores para laborar em contextos diferentes, em situações de condicionamento, perturbações ou dificuldades. Sabemos que a próxima geração é neste novo contexto que vai passar a trabalhar.

A propósito desta contingência, que já confirmou 53 casos em Portugal, em que a Organização Mundial da Saúde declarou a 11 de Março a doença como pandemia, e este poderá ser o momento para se desenvolver de uma forma acelerada a implementação do trabalho fora da empresa, o que já acontece parcialmente nas empresas.

Entende-se por teletrabalho o trabalho fora da empresa e através do recurso a tecnologias de informação e comunicação postos à disposição pelo empregador.

Quando não existe o impedimento temporário do exercício da actividade profissional (quarentena/isolamento profilático ou doença efectiva por baixa médica), surge o teletrabalho, transferindo apenas o local de trabalho para fora da empresa e em que se mantêm todas as condições de trabalho proporcionadas pelo empregador (cadeira, secretária, telefone, ligação de internet com os padrões de segurança exigidos pelo empregador com vista a exercer a protecção de dados dos clientes, computador com software de segurança, extensão da cobertura do seguro de acidentes de trabalho e remuneração integral incluindo o subsídio de refeição).

O que distingue o teletrabalho ou trabalho à distância, é a deslocalização geográfica para fora da empresa. Tal modificação exige autonomia e responsabilização, mas também pode fomentar o isolamento (se o trabalhador vive só em casa, tem na empresa a componente social).

Quanto ao equipamento informático ou de comunicação, deverá ser feito um seguro pelo empregador, em substituição do termo de responsabilidade.

Nas dificuldades mais prácticas no trabalho a partir de casa está a velocidade e a segurança da internet, que deverá ser resolvida pelo empregador, bem como a atribuição de telefone para uso exclusivo profissional, com possibilidade a desligar fora do horário de trabalho.

O governo está a pedir aos serviços para privilegiarem o teletrabalho.
Menos viagens e mais trabalho remoto.
A DGS recomenda que se evitem reuniões presenciais e fomentem o teletrabalho.

Compete à empresa decidir o teletrabalho.
Também compete à empresa criar todas as condições para dar continuidade ao trabalho fora da empresa, designadamente tecnológicas e de comunicação. Teletrabalho, trabalho fora da empresa, trabalho à distância sim, mantendo-se todas as restantes condições de trabalho.

TELETRABALHO: da contingência em direcção ao futuro

12-03-2020

20 fevereiro 2020

A fidúcia do dinheiro - por João Pires

A fidúcia do dinheiro
 

Quando o dinheiro se torna vaidoso, sem modéstia e presunçoso adopta todas as cores. A cor do sangue, do suor das lágrimas, do ouro, dos diamantes, do petróleo, da inveja, da cobiça, das lavandarias, dos tráficos de influências, dos tráficos da droga, das máfias, da ambição e do poder.

Pouco sobra para a vida pacata do cidadão comum. O dinheiro ganho à custa do trabalho representa uma parcela pequena neste universo. Esse dinheiro serve para pagar a alimentação, a roupa, o calçado, a saúde, a educação, a justiça e outros serviços públicos através dos impostos, bem como o direito à escolha da educação ou da saúde prestada por empresas privadas.

O dinheiro também permite concretizar necessidades como umas férias merecidas depois de um ano de trabalho ou tantos desejos quanto aqueles que a sociedade de consumo moderna pode proporcionar.

Se o dinheiro pode comprar prestações de serviços na saúde, não compra a saúde, se pode pagar um colégio não compra a educação, se pode pagar a corrupção, não compra a justiça, nem compra a plenitude, a satisfação ou equilíbrio físico e psíquico.

Será que o dinheiro vai algum dia comprar alegria de viver?
Será que o dinheiro vai algum dia comprar a felicidade?

Entretanto há pessoas a morrer no local de trabalho.
Todos os dias morrem um bocadinho mais.

O dinheiro representa poder e age em função de si mesmo.
O dinheiro é egoísta.
Toda a gente o quer e alguns estão dispostos a tudo.

13-02-2020


31 dezembro 2019

Estorvo ambiental

Estorvo ambiental 
Quando o Sr. ministro do Ambiente vem dizer que os habitantes das aldeias do Baixo Mondego terão que mudar para zonas mais altas, que os automóveis a gasóleo têm os dias contados, que a próxima década será mais exigente no cumprimento das metas ambientais, se aposta na defesa dos ecossistemas e investe na gestão autárquica dos transportes essencial para combate eficaz às alterações climáticas, por que razão não aplica a mesma política ambiental em relação ao aeroporto do Montijo? 

Este aeroporto dá menos nas vistas e não levanta tantas questões jurídicas que o anterior projecto, o aeroporto internacional de Alcochete, entretanto abandonado. 

Registam-se preocupações ambientais como a defesa da avifauna, impacto do ruído e mobilidade, mas o Sr. ministro do Ambiente não manifesta qualquer preocupação.
João Pires, autor

30 dezembro 2019

Afinal não era de cura amarela

Afinal não era de cura amarela
Disseram-lhe que era de cura amarela. Segurou o bacalhau pelo corpo e deixou cair a cauda. Era mole e arqueou. Provavelmente estaria demasiado húmido. Ainda assim acreditou na promoção. Estava demasiado cansado para procurar noutra loja. 
O bacalhau de cura amarela é mais caro, mas também rende mais depois de demolhado com a pele virada para cima. No dia seguinte verificou que o bacalhau havia perdido toda a cor. Havia sido enganado.
A ceia de Natal decorreu sem mais percalços. Trocam-se prendas. A camisola que recebeu não era o seu tamanho. Ofereceu em troca um perfume que não era do gosto da pessoa. Ela foi a correr a trocar a prenda.
Dia 26 volta a ser para desfazer presentes equivocados.
João Pires, autor

Ida do IRS

Descida do IRS ...

Para onde vai o IRS?

Tem mais impacto na mente dos contribuintes que no bolso e está abaixo da inflação esperada, ou seja, nova perda do poder de compra. O carrinho do supermercado trará menos compras em 2020. 

Incentivos à natalidade e o aumento das pensões estão prometidos. Porque é que o complemento-creche não abrange todas as crianças? 
11M € é o custo para acabar com as taxas moderadoras nos centros de saúde. Qual o impacto na população? Marcam-se consultas a torto e a direito, porque não se paga a taxa? Faltas às consultas sem pudor?  

São ilusões que prometem mexer no bolso dos contribuintes

Porque sobe em 0,3% o imposto único (IUC)? Veículos a gasóleo têm agravamento de 500 € no imposto a pagar. Em Janeiro os carros importados serão mais baratos. A ver a redução fiscal imposta por Bruxelas quanto aos importados (ISV). As vendas de usados estão paradas. 

João Pires

07 maio 2017

Dia da Mãe

mãe, mulher que um dia foi terreno fértil

foi desejada, amou e aceitou a semente

carregas incertezas mas também amor no teu ventre

mulheres que esperam um dia ser mãe,

já o são sem saberem

anseios, incertezas, cuidados

mulher-mãe o será pela vida fora

papel irreversível, não descartável

será essa a essência da vida

És mulher, és mãe, és pai

respira o teu dia mãe-mulher

que o teu dia seja celebrado

celebrado em pleno

os teus filhos, esses estarão

na tua companhia ou pelo mundo fora

mulher, tu és mãe do mundo

pois então respira fundo

eu?

um simples filho da terra que te presta homenagem

Feliz dia da Mãe

7-5-2017

João Pires