28 junho 2020

tinta permanente de João Pires no Facebook

http://facebook.com/joao.pires.tinta.permanente/

Várias contas falsas ou perfis no Facebook

Várias contas falsas ou perfis no Facebook

Quando percorro a lista de aniversariantes do dia no Facebook, deparo-me por vezes com várias contas abertas pertencentes à mesma pessoa.
Já encontrei perfis de contas em duplicado, em triplicado e até em quadruplicado. Esta constatação foi possível verificar para os perfis de conta cuja data de nascimento é a mesma.
Imagino que possam existir vários perfis associados à mesma pessoa com datas de nascimento diferentes, não sendo por isso possíveis de detectar através da consulta dos aniversariantes do dia.
Existem vários tutoriais no YouTube e muitas páginas que ensinam a criar perfis e contas falsas ou em duplicado
Mas qual é a razão para criar vários perfis ou contas falsas ou em duplicado?

• Por pura diversão
• Pela necessidade de ocultar a verdadeira identidade em relação a terceiros
• Pela necessidade de receber comentários ou likes de “outras pessoas”
• Para alimentar os comentários e discussão sobre as publicações
• Para aumentar a visibilidade sobre uma determinada pessoa
• Para dinamizar um negócio, recorrendo aos comentários de “outras pessoas”
• Quando o utilizador se esquece da password e resolve criar um novo perfil
• Pedofilia
• Tráfico de armas
• Tráfico de drogas
• Assédio moral
• Assédio sexual
• E tantas mais razões que agora não ocorrem

Com a adesão das faixas etárias mais elevadas ao Facebook, novas oportunidades de negócio surgiram no mais variados campos. 
Abundam os pedidos de amizade dos amigos de verdade, daqueles que estão longe e o Facebook serve de plataforma de comunicação, mas também nascem pedidos de amigos virtuais, que mais à frente revelam os seus propósitos pessoais ou comerciais.

Alguns perfis levantam suspeitas quando se revelam sem actividade, embora alguns utilizadores estejam presentes no Facebook apenas para seguir as publicações dos amigos.
Outros perfis são muito recentes ou não tem fotos.
Outros ainda pedem amizade e começam a escreve em línguas diferentes.
Ainda há a os perfis falsos que pedem amizade e oferecem crédito, a troco do pagamento de uma comissão antecipada.

Também há os perfis com a foto de uma mulher fardada e alistada num exército.

Também não faria sentido em aceitar ou fazer pedidos de amizade exclusivamente a pessoas conhecidas fisicamente.
Trata-se uma rede social que pode servir para alargar as amizades para além da família e amigos de outros tempos.

A página pessoal do Facebook representa alguém de carne e osso. 
Quando um perfil não tem fotos, levantam-se as suspeitas.

Para dinamizar um negócio, existem as páginas. 
Para dinamizar uma discussão recorrente ou um tema, existem os grupos.

João Pires

#facebook #perfilfalso #contafalsa #joaopires

22 abril 2020

Da minha Janela

Da minha janela eu vi os tanques militares a desfilarem pela avenida, espingardas ornamentadas de cravos vermelhos, com militares em seu redor, cercados pelo povo que veio à rua, para celebrar o fim regime ditatorial do Estado Novo. Havia abraços, beijos e muita confusão. 

O Movimento das Forças Armadas teve um papel ímpar há 47 anos atrás e ficará para sempre na história de Portugal. A partir de então, apesar do povo não saber o que fazer com a liberdade, pois não estava habituado, foram recebidos os retornados das ex-colónias que vieram ajudar ao progresso português. A redução da taxa de analfabetismo, os cuidados na saúde e muitos outros benefícios foram entrando na vida dos portugueses.

E este pedaço de história portuguesa recente tão importante para o desenvolvimento económico e social do país tem sido comemorada anualmente na casa da democracia. Logo aqui acontece um desvirtuar do dia da liberdade. O 25 de Abril deixou de ser do povo e comemorado entre o povo para passar a ser uma efeméride a ser celebrada pelos representantes do povo. E todos os anos tem sido assim. Ano após ano. Os discursos são recorrentes e vão enaltecendo e recordando o passado, dando o devido destaque aos capitães de Abril.

Da minha janela

As comemorações do 25 de Abril de 2020, serão diferentes das anteriores. Os participantes serão reduzidos a 130 pessoas e irão marcar presença na Assembleia da República, ainda não se sabe se munidos de equipamento de protecção individual. Os discursos irão certamente reconhecer os capitães de Abril, pessoas indissociáveis da Revolução dos cravos e poderão tocar nos novos capitães de Abril, dirigindo-se ao pessoal da saúde e tantos outros que fizeram com que o país não parasse, nem por um instante. 

Provavelmente os participantes das comemorações do 25 de Abril irão estar a discursar mencionando os novos capitães de Abril que se encontrarão a trabalhar naquele momento. Irão estar a falar da liberdade e do momento em que o povo veio à rua para portugueses que estão confinados nas suas próprias casas, sem poder vir à rua, sem a liberdade dos outros anos.

Não falarão certamente do medo da morte causada pela infecção do vírus, nem falarão do medo da vida, motivada pela recessão económica que aí vem. Não irão falar dos 6.000 casais desempregados, nem dos quase 400.000 desempregados. Talvez   os discursos não se dirijam a essas pessoas, porque irão falar essencialmente do passado.
Gostaria de ver uma palavra de esperança, quanto ao futuro, como vai ser encarada a recessão económica, agravando os números atrás citados.

Depois de ouvir repetidamente pela boca do governo e do Sr. Presidente da República: FIQUE EM CASA, ratificada pela declaração do estado de emergência, é com perplexidade que se assiste ao anúncio por parte do Governo, da celebração do 25 de Abril, nos moldes habituais, embora com apenas 130 pessoas, mas em condições contrárias às orientações da DGS e SNS. Concentração de pessoas (governantes) num espaço confinado em tempos de pandemia, numa altura em que se pede para que as pessoas (governados) fiquem em casa. Talvez os governantes estejam imunes ao vírus.

Provavelmente o confinamento irá durar para lá do Verão e em Outubro será garantida a continuidade do confinamento. Será mais fácil governar um país em confinamento? Provavelmente sim, pois as manifestações estão suspensas, em nome dos vírus e de repente o povo ficou mais preocupado com a pandemia, que outras questões que vinham a preocupar o país até à chegada do vírus.

Em nome do vírus, pode chegar-se facilmente a uma ditadura moderna e se o cidadão for obrigado a fazer-se acompanhar obrigatoriamente de um telemóvel para registar os locais por onde anda, registar a sua temperatura e, em caso de febre, fazer despoletar um sino em qualquer departamento, ou até exibir a bolinha verde (está autorizado a circular) ou a bolinha vermelho (quarentena obrigatória). Talvez venha a ser realidade o certificado de imunidade, atribuído a todos aqueles estivessem imunes ao covid-19, de modo a poderem retomar o trabalho e sem risco de contágio. Uma perigosa sugestão dando espaço ao biopoder e à biopolítica. Discriminação pelo empregador, que passaria a exigir tal certificado no momento da contratação.

Dia 25 de Abril, o povo não sairá à rua porque está confinado. Tem apenas direito a assistir às comemorações do 25 de Abril, a partir do pequeno ecrã. Saudáveis, mas em casa e o vírus em liberdade.

Da minha janela, verei árvores em flor e uma criança do outro lado da rua, que brinca na sua janela com soldadinhos de chumbo e tanques de guerra.

21 de Abril de 2020

João Pires

28 março 2020

A vida mudou, nós também

A vida mudou

Nós também

Hábitos tão básicos e automáticos como lavar as mãos antes da refeição, passaram a ser empreendidos de forma consciente e repetida em várias tarefas diárias. Mas também a criação de uma zona restrita para deixar o calçado usado na rua ou para deixar a roupa do dia de trabalho, passou a ser uma preocupação. Deixar a roupa à entrada de casa, deixar os objectos que vieram da rua à entrada de casa, parece ser uma atitude prudente, neste período mais crítico da pandemia, mas também para o futuro. Se é sabido que o telemóvel pode transportar fungos e bactérias, talvez não seja boa ideia transportar o aparelho pela casa, em particular para a zona onde se preparam os alimentos, onde se tomam as refeições ou na zona onde se descansa. Na entrada de casa deverão estar os chinelos para uso no resto da casa.

Estas são medidas simples que deverão estar em sintonia com o rigor pretendido nos locais de trabalho, onde se pugna diariamente por exigir todas as condições de saúde e segurança.

A própria saúde e segurança no trabalho, deverá ser revista para a promoção e prevenção de novas regras, a fim de responder a esta pandemia e ao futuro, em articulação com o controlo da gestão, a contratação e horários de trabalho.
Quanto ao cumprimento do horário de trabalho, o regime de trabalho à distância, implica a coordenação de várias tarefas, até aqui inexistentes para todos os trabalhadores que de um momento para o outro, se viram confrontados com a nova realidade. Foi necessário implementar uma nova coreografia de trabalho, a fim de assegurar a continuidade do negócio, onde também entram as tarefas domésticas e o apoio à família.
Este período de transição do modelo de negócio, requer adaptação e não pode deixar de assegurar a sua continuidade, mas também não pode servir de motivo para aumentar a pressão sobre os trabalhadores. A fim de permitir a sanidade mental de quem está no teletrabalho, é imprescindível que se cumpra rigorosamente o horário de trabalho e que se aplique o direito a desligar. A desligar o telemóvel fora do horário de trabalho, a desligar o computador de trabalho. Várias famílias aperceberam-se que os filhos passam muitas horas em frente ao ecrã após os primeiros dias em teletrabalho.
Uma das medidas adoptadas é que o direito a desligar deverá ser imperativo para toda a família, incluindo os filhos. Fora do horário de trabalho. Essas famílias que passaram a conviver mais horas com os filhos, decidiram desconectar todos os ecrãs, telemóvel, tablet, computador, consolas de jogos e televisão.

Para quem está na linha da frente no atendimento aos clientes, em sectores definidos como estratégicos, os meios de resguardo, como as divisórias em acrílico, deverão estar aplicadas até ao final do dia de hoje.
Seria muito desejável que houvesse o pagamento de subsídio de risco, na ausência da cobertura pelo seguro de acidentes de trabalho, classificando estas profissões de risco.

A partir do momento que os sectores estratégicos foram chamados a dar continuidade ao fornecimento dos seus serviços, na sequên
cia da declaração do estado de emergência, para manter a economia em funcionamento, no apoio às famílias e empresas, deverá ser dada atenção especial a esses trabalhadores que não podem ficar em casa nem podem parar de trabalhar, a fim de dar continuidade ao negócio.
Com a chegada das férias da Páscoa, é importante que não seja interrompido o apoio às famílias e seja assegurado o pagamento do rendimento mensal aos trabalhadores. Não faz qualquer sentido o uso de férias para colmatar esta lacuna. É crucial que seja definido um programa pelo governo para prolongar o apoio através de subsídios, neste tempo de pandemia e de estado de emergência declarado.

É tempo de auto quarentena. Tempo de ficar por casa. Muitos fugiram da pandemia para a sua aldeia, onde vivem maioritariamente idosos. Várias aldeias estão a sofrer os resultados do êxodo citadino. As mudanças da vida são imprevistas. Há bem pouco tempo falávamos de êxodo rural.

É tempo de auto quarentena, evitando os ajuntamentos de pessoas, para passear à beira-mar num dia de sol ou numa ida à praia. Essas pessoas foram apelidadas de egoístas, estúpidas e perigosas. Não sabemos o que vai na cabeça dessas pessoas quando tomam uma decisão de sair à rua em grupo, contrariando as orientações dos organismos de saúde. Também não se entende porque é que depois de utilizar a caixa multibanco se deixem luvas usadas na via pública. Talvez seja uma reacção irracional ao medo. Assim como uma pessoa infectada pode contagiar duas ou três pessoas, também estes comportamentos podem afectar de maneira negativa como já descrito ou podem influenciar positivamente se se mantiver em auto quarentena.
Se a região norte é aquela que conta com mais casos de infecção, importa perceber que este é um problema global. Ninguém está livre de mais tarde ou mais cedo vir a ser contaminado. Por isso é que as medidas de higiene pessoal são mais importantes para a defesa pessoal e para a saúde pública.

Ainda há bem pouco tempo a globalização, com a livre circulação de pessoas e bens por todo o mundo parecia ter só vantagens.

Que as mudanças se operem por causa de um vírus
Mas sobretudo que as mudanças aconteçam em nós
É tempo de reflectir sobre o sentido da vida, considerando que esta nunca está garantida.

João Pires

26 março 2020

COVID-19 Ministerio da Saude

Se tiver tosse, febre, ou falta de ar ligue SNS24: 808 24 24 24
Para baixas médicas deve ligar para a Segurança Social: 300 502 502

Alerta:
COVID-19 - Medicamentos através da internet
Infarmed alerta consumidores para perigo de aquisição de medicamentos através da internet.
ARS Norte disponibiliza duas linhas telefónicas para rastrear sintomas
Estou em isolamento. E agora?
Se lhe foi indicado isolamento, fique a saber quais as medidas recomendadas e os cuidados que deve ter em casa.
Preciso de um médico. E agora?
Agora mais do que nunca o contacto telefónico com o centro de saúde é muito importante. Com as limitações de circulação decorrentes da pandemia que nos está a atingir, os médicos de família podem atender telefonemas e responder a dúvidas dos seus doentes.
Para informação completa, consultar:
https://covid19.min-saude.pt/

23 março 2020

TELETRABALHO: da contingência ao futuro

TELETRABALHO: da contingência ao futuro

Considerando que o coronavírus veio para se tornar uma ameaça à saúde pública, uma ameaça à economia e que as prácticas básicas de higiene não estão a ser seguidas por todos com a mesma convicção (lavar frequentemente as mãos, espirrar para o braço ou evitar o contacto físico nos hábitos sociais), as medidas que restrinjam a circulação de pessoas, como o teletrabalho, poderão ser uma ajuda na contenção da propagação do vírus.

A economia também já entrou em quarentena e isso também é causa pública. Entretanto aguarda-se o encerramento das escolas com a antecipação das férias da Páscoa.

O teletrabalho já é uma realidade que existe em muitos países, tem sido objecto de testes em Portugal e veio para ficar. Os planos de contingência e de continuidade do negócio incluem o teletrabalho. As empresas poderão aproveitar este momento para testar as suas capacidades de funcionamento com trabalho à distância.

Por outro lado, este é um momento para testar a abertura dos trabalhadores para laborar em contextos diferentes, em situações de condicionamento, perturbações ou dificuldades. Sabemos que a próxima geração é neste novo contexto que vai passar a trabalhar.

A propósito desta contingência, que já confirmou 53 casos em Portugal, em que a Organização Mundial da Saúde declarou a 11 de Março a doença como pandemia, e este poderá ser o momento para se desenvolver de uma forma acelerada a implementação do trabalho fora da empresa, o que já acontece parcialmente nas empresas.

Entende-se por teletrabalho o trabalho fora da empresa e através do recurso a tecnologias de informação e comunicação postos à disposição pelo empregador.

Quando não existe o impedimento temporário do exercício da actividade profissional (quarentena/isolamento profilático ou doença efectiva por baixa médica), surge o teletrabalho, transferindo apenas o local de trabalho para fora da empresa e em que se mantêm todas as condições de trabalho proporcionadas pelo empregador (cadeira, secretária, telefone, ligação de internet com os padrões de segurança exigidos pelo empregador com vista a exercer a protecção de dados dos clientes, computador com software de segurança, extensão da cobertura do seguro de acidentes de trabalho e remuneração integral incluindo o subsídio de refeição).

O que distingue o teletrabalho ou trabalho à distância, é a deslocalização geográfica para fora da empresa. Tal modificação exige autonomia e responsabilização, mas também pode fomentar o isolamento (se o trabalhador vive só em casa, tem na empresa a componente social).

Quanto ao equipamento informático ou de comunicação, deverá ser feito um seguro pelo empregador, em substituição do termo de responsabilidade.

Nas dificuldades mais prácticas no trabalho a partir de casa está a velocidade e a segurança da internet, que deverá ser resolvida pelo empregador, bem como a atribuição de telefone para uso exclusivo profissional, com possibilidade a desligar fora do horário de trabalho.

O governo está a pedir aos serviços para privilegiarem o teletrabalho.
Menos viagens e mais trabalho remoto.
A DGS recomenda que se evitem reuniões presenciais e fomentem o teletrabalho.

Compete à empresa decidir o teletrabalho.
Também compete à empresa criar todas as condições para dar continuidade ao trabalho fora da empresa, designadamente tecnológicas e de comunicação. Teletrabalho, trabalho fora da empresa, trabalho à distância sim, mantendo-se todas as restantes condições de trabalho.

TELETRABALHO: da contingência em direcção ao futuro

12-03-2020

20 fevereiro 2020

A fidúcia do dinheiro - por João Pires

A fidúcia do dinheiro
 

Quando o dinheiro se torna vaidoso, sem modéstia e presunçoso adopta todas as cores. A cor do sangue, do suor das lágrimas, do ouro, dos diamantes, do petróleo, da inveja, da cobiça, das lavandarias, dos tráficos de influências, dos tráficos da droga, das máfias, da ambição e do poder.

Pouco sobra para a vida pacata do cidadão comum. O dinheiro ganho à custa do trabalho representa uma parcela pequena neste universo. Esse dinheiro serve para pagar a alimentação, a roupa, o calçado, a saúde, a educação, a justiça e outros serviços públicos através dos impostos, bem como o direito à escolha da educação ou da saúde prestada por empresas privadas.

O dinheiro também permite concretizar necessidades como umas férias merecidas depois de um ano de trabalho ou tantos desejos quanto aqueles que a sociedade de consumo moderna pode proporcionar.

Se o dinheiro pode comprar prestações de serviços na saúde, não compra a saúde, se pode pagar um colégio não compra a educação, se pode pagar a corrupção, não compra a justiça, nem compra a plenitude, a satisfação ou equilíbrio físico e psíquico.

Será que o dinheiro vai algum dia comprar alegria de viver?
Será que o dinheiro vai algum dia comprar a felicidade?

Entretanto há pessoas a morrer no local de trabalho.
Todos os dias morrem um bocadinho mais.

O dinheiro representa poder e age em função de si mesmo.
O dinheiro é egoísta.
Toda a gente o quer e alguns estão dispostos a tudo.

13-02-2020